Trinta anos de Renato Borghetti com gaita em muitos palcos

Renato Borghetti

Uma Boa Conversa | Fotos: Outra Estação.com | © Todos os direitos reservados

O show no teatro Antonio Sepp, em 22 de agosto de 2015, integrou a série de apresentações para comemorar trinta anos de gravação do primeiro disco. Ao lado de Arnóbio Bilia, filho do ídolo Tio Bilia, Borghetti conversou com Outra Estação minutos antes do show.

Outra Estação – Sempre que eu ouvia falar em Borghettinho, lá na infância, imaginava que se te chamavam assim é porque existia um Borghettão que frequenta o mesmo meio e que o diminutivo foi uma maneira de te diferenciar do pai. Quem é o Borghettão, afinal?

Borghetti – Na realidade, é isso mesmo. O pai sempre foi ligado ao Movimento Tradicionalista Gaúcho, chegou a ser patrão do 35 CTG. Então eu era o Borghettinho por ser filho dele. Hoje o Borghetti virou Borghettão e eu fiquei conhecido como Borghetti (cheio de “Borghettinhos”, os filhos).

O que dá pra falar do projeto Gaita Ponto Trinta Anos?

É um registro importante. Trata-se de 30 anos desde a gravação do primeiro disco, mesmo que eu toque há mais anos.

Imagina que você está na escola e a professora diz: Renatinho, faça um texto usando as expressões Santo Ângelo, gaita e Tio Bilia. O que sai disso tudo, Borghetti?

Eu posso resumir que Santo Ângelo é a terra da gaita por causa do Tio Bilia. A maior influência que eu tenho no acordeon diatônico é ele. Quando piá, eu colocava os discos no tocador e acompanhava de ponta a ponta. Acho que todos os músicos que tocam gaita de botão têm o Tio Bilia como referência.

Sétima do Pontal é uma das músicas mais belas que eu já ouvi. Se um dia aparecer um ET e perguntar o que é tocar gaita eu vou sugerir que ele ouça Sétima do Pontal. O que você lembra sobre essa composição?

A história desta música é muito engraçada. Ela é uma rancheira, tem compasso ternário. E a gente botou um compasso a mais, então o tempo forte vai sempre “caminhando”. Quando eu a compus com o Veco Marques (atualmente na banda Nenhum de Nós), a gente imaginou: “parece uma pessoa rengueando”. E o nome original da música era “Renga”. Mas ela ficou muito bonita, melodiosa, então mudamos para “Sétima do Pontal”. Se eu tô com a minha mãe por perto e não toco essa música ela “dá em mim”.

E a ideia da Fábrica de Gaiteiros?

Fabricamos a gaita de oito baixos, já criamos uma de 24 pro Arnóbio Bilia. A fábrica nasceu da necessidade que tínhamos, já que, por um momento, todas as fábricas do Rio Grande do Sul estavam fechadas e dependíamos de instrumentos importados. Juntamos alguns luthiers – esse pessoal que trabalhava no fundo de casa -, e hoje fabricamos uma boa gaita de oito baixos. Elas servem a crianças que estudam nas escolas que montamos. As aulas são gratuitas e elas ainda ganham a gaita para continuar estudando em casa.

Borghetti, você tem como parceiro um dos maiores violonistas do País, que é o Daniel Sá. Como é isso? Gente boa atrai gente boa?

Sem dúvida. O Daniel toca comigo há 27 anos, o Pedrinho Figueiredo (flauta), há 24 anos. O Vitor Peixoto (piano) já está comigo há dez anos. A gente tem que estar sempre bem “costeado”.

Seu Arnóbio, o que dizer desse “tal de Borghettinho”?

Arnóbio Bilia – Hoje é uma noite muito feliz por “trepar” no palco e tocar com esse ídolo. Além de um grande músico, é um grande amigo de todos. Este é o artista. Alguns querem ser, mas não conseguem. O Borghetti é.

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