Fortalecimento da mandioca e hortaliças: cadeias são discutidas em encontro nas Missões

Fortalecimento da mandioca e hortaliças: cadeias são discutidas em encontro nas Missões

Jornal do Campo | Foto: Emater RS/Divulgação

Fortalecer a cadeia produtiva de hortaliças agroecológicas e orgânicas e da mandioca na região missioneira motivou um projeto desenvolvido no Instituto Federal Farroupilha (Iffar), campus Santo Ângelo, e discutido em seminário realizado quinta-feira, 7.

A professora Elaine Biacchi Vione, coordenadora do projeto que culminou na realização do evento, afirma que a iniciativa nasce da perspectiva de trabalhar com cultivos que fazem parte da cultura local e precisam ser valorizadas.

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“Há um importante potencial a ser aproveitado, pois ainda é muito grande o volume de hortaliças que vem de fora. A mandioca também é muito significativa na região, ocupando uma expressiva área”, comenta.

Por meio do projeto “Fortalecimento da Cadeia Produtiva de Hortaliças Agroecológicas e Orgânicas e da Mandioca na Região Missioneira do RS”, são realizadas diversas atividades de ensino, pesquisa e extensão, sendo que, entre elas, Elaine destaca o experimento com variedades de mandioca existentes na região, manejo de plantas daninhas e adubação e a implantação de sete variedades de mandioca biofortificada em parceria com a Embrapa.

O projeto também contempla a produção agroecológica e orgânica de hortaliças para a melhor qualidade de vida de consumidores e produtores. “Busca-se a construção de um contexto de segurança e soberania alimentar”, destaca a professora.

O gerente regional da Emater RS, Ademir Renato Nedel lembra que a mandioca tem um significado importante na cultura regional, evoluindo desde o seu uso na alimentação animal até a profissionalização que amplia sua presença e versatilidade na alimentação humana.

“Já foram abertos importantes nichos de mercado para a mandioca a exemplo da agroindustrialização. Para qualificar ainda mais, a informação deve ser a mais precisa possível e esse embasamento conquistamos com a pesquisa, importante também para o trabalho da Assistência Técnica e Extensão Rural Social, que leva informações com vistas a melhorar a qualidade de vida das pessoas”, avalia Nedel.

A diretora-geral Pro Tempore do Iffar, campus Santo Ângelo, Rosane Rodrigues Pagno, destaca que está em andamento a primeira chamada pública para o fornecimento de alimentos de agricultores familiares de Santo Ângelo à instituição de ensino, consolidando-se assim, um exemplo de fortalecimento da cadeia produtiva local.

O coordenador do setor de agroindústrias da Secretaria Municipal da Agricultura de Santo Ângelo, Diomar Formenton, disse que este tipo de evento é importante porque “queremos alimentos de melhor qualidade e que sejam produzidos com respeito à vida e ao meio ambiente. Em Santo Ângelo, cinco produtores já conseguiram se organizar e conquistar o certificado de conformidade orgânica de seus produtos”.

Cenário e aspectos legais para produção de orgânicos

A situação da produção e comercialização de hortaliças e da mandioca na região missioneira foi apresentada pelo extensionista rural da Emater RS, Gilmar Vione.

“Diante da importância de hábitos alimentares mais saudáveis e o aumento da consciência do papel das frutas e hortaliças neste contexto, amplia também a demanda pela produção destes alimentos”, avalia.

Segundo Vione, ainda se produz pouco, uma produção diária aproximada de 36,25 gramas de hortaliças por habitante na região. “O potencial consumidor que a população das Missões possui é muito maior, mostrando que ainda é necessário avançar muito nesta relação entre oferta e demanda local”.

A solução se encaminha com a organização e ampliação da cadeia e acesso a mercados institucionais, via cooperativas da agricultura familiar, possibilitando o fornecimento de alimentos à população em geral e a prefeituras, escolas, Exército, presídios, hospitais e universidades.

Através de políticas públicas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) é possível comercializar o produto orgânico a um valor de até 30% maior em relação ao convencional.

Quem acompanhou a fala do auditor fiscal federal agropecuário do Mapa, José Cleber Dias de Souza, pode compreender mais sobre os aspectos técnicos e garantias de qualidade dos alimentos orgânicos, os antecedentes e as primeiras regulamentações que culminaram na legislação brasileira atual para a produção orgânica, ações desenvolvidas pelo Mapa e o panorama atual da produção e certificação orgânica no Brasil.

O auditor fiscal do Mapa revelou que no cenário brasileiro, o Paraná e o Rio Grande do Sul são os estados com o maior número de produtores orgânicos certificados.

“Houve um avanço muito significativo nos últimos anos, sendo que em novembro de 2013 eram 366 produtores orgânicos gaúchos e em dezembro de 2018 chegou-se a 2.355”, destacou.

Também esclareceu que no site do ministério é possível conferir a listagem dos 119 produtos registrados que podem ser usados na produção orgânica de alimentos, acessando-se o link Agrofit do site do endereço www.agricultura.gov.br.

Manejo e tecnologias de produção

Técnicas de manejo e reflexões para a produção de alimentos também estiveram em pauta. A abordagem sobre como construir altas produtividades no cultivo da mandioca foi conduzida pelo engenheiro agrônomo Alexandre Ferigolo Alves, da Equipe Simanihot, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Representante do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária, vinculado à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação, a doutora Gerusa Pauli Kist Steffen abordou os bioinsumos como ferramentas de sustentabilidade agrícola.

Os alimentos biofortificados foram tema da explanação do engenheiro agrônomo Apes Falcão Perera, do projeto Biofort, da Embrapa.

O grupo de produtores orgânicos Sabor Missioneiro, de Santo Ângelo, relatou sua experiência de organização e transição para alcançar o certificado de conformidade orgânica dos alimentos que produz.

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