Gestão recebe destaque em Dia de Campo sobre o leite, em Santa Rosa

Gestão recebe destaque em Dia de Campo sobre o leite, em Santa Rosa

Jornal do Campo | Foto: Emater RS/Divulgação

Foi na Cabanha Gema, localizada em Lajeado Pessegueiro, interior de Santa Rosa, que agricultores e técnicos conheceram mais sobre aspectos que contribuem para o melhoramento genético, qualidade do leite, gestão da atividade e nutrição animal.

A troca de experiências foi oportunizada na terceira tarde de campo de produção leiteira, realizada na quinta-feira, 28, com a presença de participantes dos municípios de São José do Inhacorá, Tucunduva, Santa Rosa, Santo Cristo e Giruá.

O evento foi resultado da parceria entre diferentes entidades, entre elas, CriaValor Gestão Inteligente, Tortuga, Abitante de Conti, Emater/RS-Ascar, Gensur, Sicredi, LG Sementes, Ceva, Cotrirosa, Inovva Milk e Hermanns Agro.

A Cabanha Gema, anfitriã do evento, é reconhecida pela genética de seus animais, todos da Raça Jersey, com importantes premiações regionais, estaduais e nacionais.

Entre as principais premiadas está a Gema Isca Doutrina Valentino, Grande Campeã da Expointer 2019, em Esteio, e Grande Campeã do 4º Circuito Nacional da Raça Jersey 2019, realizado em Curitiba.

Casal proprietário da Cabanha, os médicos veterinários Ângela Maraschin e Marcos Souza de Freitas explicaram sobre o contexto que levou a propriedade a ser referência em genética animal.

Ângela destacou a importância de conhecer o rebanho, priorizando animais com histórico, levando em conta aspectos como o controle leiteiro, controle reprodutivo, uso de inseminação artificial com touros melhoradores e sanidade do rebanho.

Na cabanha todos os animais possuem certificação de tuberculose e brucelose e são feitas análises mensais do leite pelo Sarle, laboratório habilitado pelo Ministério da Agricultura.

A produtividade média é de 25,3 litros de leite por vaca ao dia. Elas são manejadas no sistema de Compost Barn, modelo de instalação que busca o máximo conforto e bem-estar dos animais que, por sua vez, resulta em maior produtividade. O sistema tem um maior espaço por vaca alojada e utiliza camas macias feitas principalmente com serragem e maravalha.

Segundo Ângela todo o trabalho realizado tem uma meta clara, sendo possível com a raça Jersey atingir maior longevidade com um maior número de lactações e melhor qualidade do leite ao mesmo tempo em que se tem menor impacto ambiental.

Marcos explicou como funciona o manejo do local, utilizando-se os dejetos para a produção de composto que pode ser utilizado como fertilizante orgânico.

A gestão da atividade também esteve em evidência no dia de campo, sendo abordada pelo administrador, da Criavalor, Márcio Gonçalves. Ele destacou que a gestão consiste em planejamento, gerenciamento, administração, controle e agir com foco em resultados com as pessoas.

“Busca-se Mais receita com menos gastos, com metas claras e objetivas. Entenda seus números e tome as melhores decisões”, orientou.

Márcio também abordou os desafios comuns nas empresas de controle familiar até 2021, reiterando que sem gestão não há governança e sem governança não há gestão.

Na estação sobre qualidade do leite, Marcos Hermanns, proprietário da Hermanns Agro, destacou a qualidade do leite é um indicador de sanidade e equilíbrio na propriedade e orientou sobre a limpeza e sanitização no pré e pós-ordenha, sendo etapas importantes para atender as exigências das Instruções Normativas que se referem à qualidade do leite.

O médico veterinário da Emater/RS-Ascar Guilherme Dahmer destacou a relação entre a qualidade do leite e as células somáticas (CCS).

“A CCS além de prejudicar a qualidade do leite é um indicador de sanidade. O produtor deve oferecer um ambiente limpo e seco para suas vacas”, explicou.

Dahmer alerta que, segundo a Instrução Normativa 76 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em vigor desde final de maio de 2019, o limite máximo aceitável é de até 500 mil células/ml.

Entre os fatores que aumentam as CCS estão variações entre animais e amostras de leite devido genética e ambiente, mastites subclínicas, vacas recém-paridas ou em final de lactação, vacas mais velhas e com maior número de lactações, falta de limpeza e higiene, estresse animal, entre outros.

Para reduzir as células somáticas, Dahmer recomenda adotar um conjunto de ações dentro do programa de controle da mastite, não sendo efetivo adotar medidas isoladas; manejo adequado do rebanho, ordenhando por último os animais que apresentam células somáticas mais elevadas; controle mensal das CCS; alimentação equilibrada; manter rotinas no trato do rebanho; uso de plantas medicinais, homeopatias, leveduras e probióticos, buscando, para isso, orientação de um médico veterinário.

Frederico Trindade, da DSM Tortuga, conduziu uma reflexão sobre a relação entre o retorno e o custo alimentar, dependendo diretamente do sistema de produção adotado.

De acordo com Trindade, o conceito de Retorno Menos o Custo Alimentar (RMCA) é definido pela receita da venda de leite que sobra após pagar os custos com os alimentos fornecidos aos animais para a produção de leite, sejam eles adquiridos os produzidos na propriedade.

A produção de volumosos foi tema da estação conduzida pela LG Sementes. Os técnicos Milton Racho e Juliano orientaram sobre a produção de silagem, desde a semente até o processamento do milho.

Segundo Racho, o êxito na produção de silagem passa por diferentes aspectos, desde a escolha do híbrido, regulagem da semeadora, tratamento das sementes, adubação, população de plantas até a identificação do ponto de corte ideal, tamanho do picado e distribuição no silo.

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