Depois de Pelé, “dez” virou adjetivo. É a identificação dos craques

Depois de Pelé, “dez” virou adjetivo. É a identificação dos craques

Especial | Arte sobre fotografia: Divulgação

Ele calça calos sob os pés, arranhados pelos pontapés, espinhos, pedras… Mordidas de cachorro louco. Chutes bandidos.

Há 78 anos o futebol ganhou nome, sobrenome, apelido e um número.

O interior mineiro ofereceu ao planeta o mais habilidoso com a bola nos pés, cabeça, peito, coxa, joelho…

Jogava com mágica, driblava gargalhando, passava presenteando, cabeceava olhando.

Pelé nasceu em 23 de outubro de 1940 para ser mais que “o” dez. Teve tempo de ser mil duzentos e oitenta e poucos.

Cada gol anotado na carreira é um pedaço que Pelé deixou pra marcar nas redes a imensa capacidade de fazer com maestria e simplicidade o que, para muitos, é das tarefas mais difíceis: o gol!

O mundo, Pelé abraçou quando ainda nem tinha 18 anos. Parte do que fortaleceu a ambição se ser campeão do mundo veio de 1950, quando viu o Brasil perder a Copa em casa e o pai chorar por isso.

Campeão do mundo em 1958, na Suécia, teve ainda outras duas taças mundiais nas mãos para erguer e se apresentar aos torcedores que reverenciavam o rei do futebol.

Dos tantos que marcou em quase vinte anos de carreira, o gol mais bonito é o primeiro que fez em uma Copa do Mundo. A apresentação ao planeta: Prazer, sou Pelé, aquele que vai conseguir o que ninguém fez!

A qualidade ganhou número. E até hoje são os dois numerais, às costas dos melhores de cada time, que comprovam a importância de Pelé na história do futebol. Depois dele, “dez” virou adjetivo. É a identificação dos craques.

Pelé fez multiplicar o dez. Virou mil em mil novecentos e sessenta e nove, no mais famoso cenário do futebol mundial. Pelé marcou o milésimo em um Maracanã cheio de gente.

O Santos venceu o Vasco. Um momento histórico, registrado por jornalistas do mundo. Contado em diversos sotaques, tons e emoções.

No maior momento individual, Pelé dedicou o milésimo gol às crianças. Chamou a atenção para a importância de cuidar dos pequenos para que não fosse preciso se preocupar com os grandes no futuro.

Depois do mil, outros importantes foram marcados pelo jogador que teria a carreira coroada ao receber o título de Atleta do Século, em 1981.

Em solo gaúcho, Pelé também fez história. Numa cidade do Interior, naquele que é um dos maiores estádios do Rio Grande do Sul, o camisa dez do Santos marcou o nome nas placas de inauguração do Colosso da Lagoa, em Erechim. É dele o primeiro gol marcado no estádio do Ypiranga.

Placa e Pelé têm uma combinação maior do que muitos imaginam. A expressão “gol de placa” surgiu graças a ele. E ao jornalista Joelmir Betting, que criou a frase após um belo gol do craque, marcado no estádio /Maracanã, em 1961 em partida do Santos com o Fluminense. Joelmir disse que o gol merecia ganhar uma placa pra ser exposta no estádio. E ganhou.

Com 77 anos, Pelé ainda não viu um jogador de futebol capaz chegar perto da qualidade do menino nascido em Três Corações, Minas Gerais.

Os torcedores, por assistirem ou ouvirem falar, têm certeza de que não parece possível surgir, tão logo, alguém capaz de aproveitar tanto as capacidades físicas para jogar futebol muito mais que os outros.

Pelé Dez. Mil. Setenta e oito.

Esqueçamos os números. Aos eternos é oferecida a oportunidade de existir sem precisar contar o tempo.

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