Confirmados seis casos de dengue em Santo Ângelo

Confirmados seis casos de dengue em Santo Ângelo

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Santo Ângelo tem intensificado as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti. Já são seis casos confirmados de dengue em 2020 e dez sob suspeita na cidade missioneira, segundo a Vigilância Ambiental.

Além do enfrentamento diário ao inseto, os órgãos de saúde têm embates frequentes com cidadãos negligentes. A inércia de parte da população diante do perigo representado pelo acúmulo de água, terrenos abandonados e a consequente possibilidade proliferação do Aedes aegypti irrita.

Multiplicação de problemas

Relatório do Instituto Oswaldo Cruz sobre o mosquito destaca que a desova ocorre em locais com água limpa e parada, “bem próximo à superfície da água, porém não diretamente sobre o líquido”.

Isso significa que pequenas tampas de bebidas, cascas de ovos de passarinhos ou enormes caixas d’água podem representar perigo à população.

“Inicialmente, o ovo possui cor branca e, com o passar do tempo, escurece devido ao contato com o oxigênio. Mede, aproximadamente, 0,4 mm de comprimento e é difícil de ser observado”, detalha o instituto. A fêmea é capaz de originar 1500 mosquitos.

“Os ovos são distribuídos por diversos criadouros – estratégia que garante a dispersão e preservação da espécie. Se a fêmea estiver infectada pela dengue quando realizar a postura, há a possibilidade de as larvas já nascerem com o vírus – a chamada transmissão vertical”, registra o instituto. Eles podem sobreviver por até 450 dias fora da água.

O Aedes aegypti ganha força no verão. A combinação “temperaturas altas + chuvas” tem como resultado um problema que assombra os gaúchos nos últimos anos. Somente em 2019 foram cerca de 1400 casos de dengue no Rio Grande do Sul.

Além da dengue e febre amarela urbana, o Zika Virus e a Chikungunya foram somados à lista de doenças carregadas pelo bichinho que mede 1 centímetro, é escuro e tem riscos brancos nas patas, cabeça e corpo.

Fumacê

Em Santo Ângelo, bairros da área oeste da cidade são os mais afetados, segundo a Vigilância Ambiental, mas isso não restringe a aplicação do conhecido “fumacê”. Nesta sexta-feira à tarde, 28, ele foi visto na zona norte (foto acima).

O fumacê consiste na pulverização do inseticida Malathion com o auxílio de um equipamento. A substância toma o ar nas áreas de aplicação e torna-se eficaz quando as gotículas entram em contato com o mosquito.

A prática tem seus críticos. Segundo especialistas, quando aplicado o fumacê, é necessário que os imóveis estejam com suas portas e janelas abertas para que o produto chegue ao interior e atinja os mosquitos que estiverem ali.

Mas o que ocorre é o inverso, geralmente. Assim que percebem a aproximação do veículo, moradores fecham janelas e portas por receio.

Motivos para essa preocupação até existem. De acordo com o engenheiro químico José Manuel O. Gana Soto, o fumacê pode fazer mal, principalmente se houver contato com a pele humana e vias respiratórias com recorrência.

Os danos da exposição ao inseticida são percebidos depois de muito tempo. Como resultado, surgem doenças de pele, de vias respiratórias e, em casos mais graves, o câncer.

O Ministério da Saúde já substituiu alguns produtos do fumacê com base nas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). É o governo federal que compra o material e repassa a estados e municípios.

Cidadão consciente

O fumacê é o último recurso de combate. O veneno atinge apenas os mosquitos que estão voando naquela área e não consegue destruir os criadouros.

Este último detalhe reforça a necessidade de intensa e séria participação da população: diminuir ao máximo as possibilidades de multiplicação do pernilongo é obrigação de todos.

Equipes da Vigilância Ambiental têm se desdobrado para atender às necessidades de investigação e combate ao mosquito, seus ovos e larvas. Apesar de se dedicarem a uma tarefa que deveria ser dos proprietários dos imóveis, funcionários encontram dificuldades para realizar o trabalho nos espaços particulares.

Em primeiro lugar, dependem da presença de um morador para acessar o local. Mas portões trancados e muros altos não são os únicos problemas da equipe. Tem muita cara fechada e descontentamento por parte do proprietário que, às vezes, faz o possível para não precisar deixar ingressar no imóvel aquele “estranho” uniformizado que bate palmas em frente à sua casa.

Chama a polícia!

Casos mais extremos exigem medidas compatíveis. Já houve necessidade de apoio policial para que os funcionários da Vigilância Sanitária de Santo Ângelo pudessem realizar suas atividades.

Seja por tentativa de impedir a entrada da equipe pelo dono ou ameaças de agressões dos proprietários aos profissionais quando esses precisam, por exemplo, assumir o controle e esvaziar baldes, galões, piscinas ou caixas d’água que comprovadamente estão infestadas por larvas e ovos. Se for preciso, a Brigada Militar assume a bronca. É questão de saúde pública.

Os casos de reincidência estão sempre no radar da equipe de fiscalização. Quando a Vigilância Ambiental retorna a um local problemático, percebe que não houve mudança de comportamento e há novos criadouros, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente entra em ação, faz a limpeza necessária e ainda obriga o proprietário relapso a pagar uma taxa pelo serviço.

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