Chapecoense instala polo de treinamento para jovens em Santo Ângelo

Chapecoense instala polo de treinamento para jovens em Santo Ângelo

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O verde da Chapecoense colore o uniforme que um grupo de jovens entre 5 e 17 anos veste em treinamentos três vezes por semana em uma quadra de gramado sintético localizada na zona Oeste de Santo Ângelo.

Iniciado há pouco mais de dois meses, o polo local da escolinha de futebol da Chapecoense reúne cerca de 60 guris e gurias na quadra de esportes Bronislaw (rua Tiradentes, bairro Dido). O espaço coberto foi uma escolha bem pensada: isso garante que nenhuma aula será adiada em função da inconstância do tempo.

Matheus, Antônio e Letícia. O time que comanda as jogadas no polo de Santo Ângelo é formado por um trio que atua em todas. Das funções administrativas ao treinamento em quadra. Matheus Rosa é o diretor e explica que a escolha pelo clube catarinense se deu porque, há alguns meses, a Chapecoense intensificou a abertura de polos em todo o Brasil. Como ele já trabalhou na escolinha de Cruz Alta e conheceu o projeto por dentro, resolveu trazê-lo para Santo Ângelo.

“Vamos trabalhar durante um ano com eles, este é o contrato, e precisamos ter 200 alunos no nosso polo” ↓, conta Matheus.

Há pouco tempo instalada em Santo Ângelo e ainda sem uma divulgação intensa, os quase 60 alunos já podem ser considerados uma conquista relevante.

No Rio Grande do Sul, além de Santo Ângelo, existem unidades em Cruz Alta, Ijuí, Santa Maria, Panambi, Frederico Westphalen e Salto do Jacuí. Somando os dois estados (RS e SC), já são quase 20 polos conveniados à escolinha da Chapecoense.

Os jovens têm as portas abertas para frequentes participações em peneirões da própria Chapecoense, lá na sede do clube. Um incentivo gigante para quem tem em si um forte desejo de transformar jogadas em profissão.

Como o Émerson Bernardo da Silva Daponte. Com 13 anos, ele se destaca nos treinos pela intensidade nas jogadas, sempre buscando atalhos com dribles produtivos: “Meu sonho é ser jogador de futebol!” 

Antônio Rebolho é o professor da garotada. Formado em Educação Física, vem de uma experiência em clubes profissionais de futebol como preparador físico. “Aqui, tenho um público mais atencioso e diferente. Eles dizem ‘eu quero ser jogador de futebol’.” 

Agora, ele vê seu trabalho se adaptar a uma nova realidade, auxiliando na construção de atletas que chegam com muita vontade de crescer como esportistas. “Você precisa ter cuidado. Para eles, é como se o professor fosse o herói” ↓, explica Rebolho.

Dos bem pequenos aos quase adultos, as adaptações são necessárias para uma boa fluidez no trabalho. “Os iniciantes (5 a 9 anos), por exemplo, recebem instruções sobre a vida de um profissional [de futebol] junto com os treinos. Já as categorias mais elevadas, como sub-15 e sub-17, têm uma cobrança bem maior. São duas horas semanais de treino somente físico [além do técnico]” ↓, explica o diretor.

O desafio é tornar homogêneo um grupo bem diferente, com experiências variadas de vida e de bola. “Tem guri com 16 anos que já vem jogando, mas sem um posicionamento correto ou bastante individualista. E isso nós precisamos trabalhar com eles, explicamos que o futebol é coletivo” ↓, explica Antônio Rebolho.

Mas o professor sabe que de sua postura depende a continuidade ou não do sonho, principalmente de uma criança. Por isso, a cobrança deve ser feita com cautela: “Não podemos pedir demais, pois as habilidades básicas de alguns ainda estão baixas. Mas sempre exigimos a disciplina.” 

Exigências são necessárias. Não apenas no que diz respeito a posicionamentos em campo. Fora das linhas é preciso andar… na linha. “Todos aqui têm a obrigação de apresentar boas notas e frequência escolar” ↓, diz Matheus.

Além dos objetivos esportivo e econômico da abertura do polo da Chapecoense em Santo Ângelo, há um braço social que precisa ser destacado.

Entre os atuais alunos da escolinha, dez não precisam pagar mensalidade. São jovens que receberam bolsas e poderão treinar sem gastar um real durante um ano, pelo menos. “Algumas histórias nos comovem” ↓, relata Matheus.

Os outros alunos da escolinha pagam uma mensalidade de R$ 60, sem taxa de matrícula. Mesmo com piso sintético, a grama artificial não é um impeditivo para o desenvolvimento dos atletas. “Escolhemos uma quadra coberta para não correr o risco de perder aulas em dias de chuva, por exemplo”, explica o diretor. Esta, aliás, foi uma solicitação da Chapecoense, dentre várias regras que precisam ser atendidas no polo local para ter o direito de usar a marca do clube do Oeste catarinense.

Fora dali, em grama natural, os jogadores poderão mostrar suas habilidades em torneios regionais disputados com atletas de polos da Chapecoense e times formados por outras escolinhas do Noroeste gaúcho. O uniforme é fornecido pelo clube de Santa Catarina e a única obrigação dos jovens é levar as próprias chuteiras para os treinos e jogos.

Ainda há vagas disponíveis (e que podem ser conferidas em contato pelo número 55 99127 – 9142), mas que devem ser preenchidas rapidamente com o consequente aumento da divulgação da escolinha da Chapecoense.

“A tendência é aumentar, toda aula tem aluno novo” ↓, conta o otimista Matheus.

Para se inscrever, é necessário ir ao local com Carteira de Identidade ou Certidão de Nascimento e pagar a primeira mensalidade (R$ 60).

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