O susto do barbeiro: “O senhor usava bigode?”

O susto do barbeiro

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Antônio Bernardes foi militar, representante comercial. Na barbearia que já dividiu com o pai e o irmão (falecidos), pratica seus cortes sem pensar em largar a profissão. E o barbeiro tem cada uma pra contar:

“Certa vez um homem veio a Santo Ângelo e chegou para cortar o cabelo. Contou o motivo para vir aqui e não fazer em sua cidade, próxima a Porto Xavier. O barbeiro de lá tinha ideias políticas contrárias às do senhor, era do outro lado. Então ele vinha a Santo Ângelo para fazer o corte.”

“Temos aqui duas cadeiras que são relíquias. Apareceu um rapaz de São Paulo querendo, disse que já tinha comprado duas em Uruguaiana. Ofereceu cinco mil por cadeira, falei que não venderia, foram do meu pai, fazia pouco que ele tinha falecido. Então ofereceu R$ 7 mil, eu disse que não. À tarde surgiu outro cidadão querendo fazer um ‘brique’ comigo. Disse: ‘Te dou R$ 500, agora, pela cadeira’. Falei: “tá louco, hoje de manhã veio um rapaz e ofereceu R$ 7 mil, não vendi”. Aí ele me olhou e falou: “Quem ofereceu isso por uma cadeira só pode estar louco ou não conhece dinheiro”. Ahahahahah…”

“Um senhor era cliente do meu pai há muitos anos, sempre fazia a barba com ele. Um dia, chegou na barbearia. O pai não estava, fui fazer. Como [o senhor] tinha a barba na altura do bigode, tirei a barba e o bigode. Ele levantou, passou a mão embaixo do nariz e perguntou: ‘Cadê o meu bigode?’. Eu falei: ‘O senhor usava bigode?’ Ele disse: ‘há setenta anos’. Aí me sumiu o chão, não sabia o que dizer, tentei me desculpar, mas ele era de uma educação fora do normal. Para cada coisa que eu fazia, ele respondia com mais educação. Aí eu falei que ele não precisaria pagar. O senhor disse: ‘Não podemos tentar corrigir um erro com outro. Se trabalhou, precisa receber.’ Ele continuou frequentando, mas sempre chegava rindo e dizia: ‘Não quero que mexa no meu bigode!’.”

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