O Arquivo Histórico de Santo Ângelo e sua importância regional

O Arquivo Histórico de Santo Ângelo e sua importância regional

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Darlan de Mamann Marchi – Historiador e pesquisador da área de Memória Social e Patrimônio Público*

Milhares de documentos, testemunhos da formação sociopolítica da região Noroeste do Rio Grande do Sul, fazem parte do acervo do Arquivo Histórico Augusto César Pereira dos Santos.

São materiais datados entre os fins do século XIX e o decorrer de todo século XX, dados e registros que permitem a pesquisadores (não só historiadores) acessar diferentes informações sobre o espaço urbano, demografia, economia e os costumes da sociedade santo-angelense de outras décadas.

Os registros escritos auxiliam no entendimento da trajetória do desenvolvimento regional e, consequentemente, na aplicação de ações para melhoria da qualidade de vida no presente.

O Arquivo Histórico de Santo Ângelo guarda, além dos documentos oficiais, imagens, mapas e jornais que falam do processo histórico regional desde o fim do século XIX.

No entanto, esse fantástico espaço de conhecimento ainda não é utilizado da forma como merece em face de todo o potencial que possui. Os livros contábeis das antigas administrações públicas e das entidades civis, as cartas pessoais, as fotografias, os dados populacionais, os acervos de políticos e artistas, os livros de leis, etc., permanecem no aguardo de que nossa rede de ensino incentive a pesquisa.

A interpretação desses dados por diferentes áreas do conhecimento desafia nossas universidades e escolas a vislumbrarem as inúmeras possibilidades do importante acervo. A formação de jovens profissionais comprometidos com o desenvolvimento local exige uma visão ampliada sobre a história regional.

Conhecer o passado é aprofundar o entendimento dele em relação ao presente, tanto para não repetir os mesmos erros (ou espelhar-se nos acertos), quanto entender as dinâmicas de tempo e espaço presentes na cidade contemporânea.

Por isso, é urgente dotar o Arquivo Histórico – reconhecido por lei como patrimônio municipal – da infraestrutura necessária para garantir a conservação do seu acervo. Os papéis são materiais orgânicos que têm durabilidade específica.

Sobre os documentos incidem as ações do clima e dos agentes biológicos. Por isso, é urgente um acondicionamento adequado, uma climatização correta, a ampla divulgação do acervo e outras ações de conservação preventiva, assim como o restauro de importantes documentos que se encontram em um elevado grau de deterioração.

Ironicamente, o arquivo que guarda a memória local encontra-se no esquecimento quando o tema é políticas públicas municipais. Um problema que só se agrava desde a sua criação, em 1993.

Os arquivos são as memórias escritas de uma cidade. Eles guardam na materialidade volúvel dos papéis e das linhas escritas uma infinidade de possibilidades interpretativas da sociedade e do pensamento humano. No silêncio dos documentos descansam histórias e acontecimentos que nos trouxeram até aqui e que merecem um olhar cuidadoso e comprometido por parte da sociedade. O grau de desenvolvimento de uma comunidade está diretamente ligado à importância que ela dá à sua história e conservação dos bens culturais. As sociedades se desenvolvem em ritmo proporcional ao respeito com que tratam a sua cultura e transmitem para as futuras gerações.

*Artigo escrito em 2014

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