Herbicida é aplicado irregularmente em lavouras de Santo Ângelo e outros 22 municípios gaúchos

Herbicida é aplicado irregularmente em lavouras de Santo Ângelo e outros 22 municípios gaúchos

Jornal do Campo | Foto: Outra Estação.com/Arquivo | © Todos os direitos reservados

Laudos do Laboratório de Análises de Resíduos de Pesticidas (Larp) enviados à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) comprovaram as suspeitas que já existiam sobre deriva de herbicida à base de 2,4-D. Os resultados indicaram a presença de 2,4-D em 100% das 76 amostras coletadas em 52 propriedades rurais, incluindo lavouras de Santo Ângelo.

Até segunda-feira, 25, a secretaria contabilizava 116 denúncias de deriva, sendo que já foram coletadas 149 amostras para análise química.

Conforme a Divisão de Serviços e Insumos Agropecuários da Seapdr, este ano já houve denúncias de suspeita de deriva em 41 municípios, atingindo culturas de tomate, ameixa, couve, videira, oliveira, noz-pecã, maçã, caqui, em pastagens e cinamomo.

Os primeiros resultados químicos do Larp comprovaram deriva em apenas 10 dos 24 municípios contemplados pelas instruções normativas editadas este ano pela Seapdr estabelecendo cadastro de aplicadores de agrotóxicos hormonais, regulamentando a venda orientada dos produtos, criando termo de responsabilidade e risco e cadastro de cultivos sensíveis.

As demais comprovações se deram em municípios onde não estavam sendo exigidos cadastro de aplicador e cursos, entre outras medidas.

Por ser bastante volátil, o espalhamento do defensivo – chamado de deriva -, principalmente pelo ar, prejudica culturas próximas. Em dezembro do ano passado, por exemplo, produtores de uva tiveram quebra de, aproximadamente, 40% na safra, em função da deriva do 2,4-D.

Desde 5 de julho, a Seapdr recebeu 454 declarações de aplicação do produto, mas registrou que 1.050 produtores rurais adquiriram agrotóxico a base de 2,4D nos 24 municípios prioritários.

“Com as Instruções Normativas, já está sendo possível autuar estes infratores. No ano passado, era mais difícil pela falta de um regramento específico. Hoje, isso é possível e desencadeará a apuração criminal e civil, pelos órgãos competentes”, descreve o chefe da Divisão de Serviços e Insumos Agropecuários (DSIA), Rafael Friedrich de Lima.

“A Secretaria da Agricultura tomou todas as medidas e vem desenvolvendo atividades de fiscalização constantes, com objetivo de penalizar o mau produtor, que tenha provocado a deriva”, afirma.

“Muitos produtores não declararam o uso do agrotóxico hormonal no sistema da Seapdr, mas a secretaria tem como identificar quem comprou e tomar ações mais enérgicas”, alertou Friedrich.

Conforme o chefe da DSIA, além das autuações da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, que variam de R$ 2 mil a R$ 19 mil, os produtores rurais podem sofrer sanções nas esferas civil e criminal.

A Seapdr já identificou produtores que realizaram aplicação sem assinatura da receita e aplicador cadastrado. Identificou também revendas comercializando agrotóxicos sem exigir a declaração do produtor e a certidão do aplicador, além do profissional não ter colocado na receita agronômica o termo de responsabilidade e de risco.

Municípios com laudos positivos

Apresentaram laudos positivos lavouras dos municípios de Bom Jesus, Cacequi, Cachoeira do Sul, Candiota, Dilermando de Aguiar, Dom Pedrito, Ibiaçá, Jaguari, Jari, Maçambara, Mata, Minas do Leão, Pinhal da Serra, Piratini, Protásio Alves, Ronda Alta, Santana do Livramento, Santiago, Santo Ângelo, São João do Polêsine, Silveira Martins, Toropi e Viadutos.

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